A Torre de S. Vicente a Par de Belém, Património Mundial e mais conhecida por «Torre de Belém», reflecte a grandiosidade do tempo em que Portugal era a primeira potência comercial e marítima do Ocidente Europeu. A epopeia das descobertas, iniciada no séc. XV, trouxe ao mundo novas perspectivas de relacionamento entre os homens e as nações através do conhecimento do planeta, do movimento humanista e das relações à escala mundial. A Lisboa de quinhentos representa o culminar de um longo processo histórico-cultural que envolve raças e culturas que se cruzam e se afirmam na individualidade perene a que chamamos Portugal.
O desafogo financeiro do séc. XVI, proveniente do exclusivo comercial do Índico, estimulou o empenho dos monarcas na protecção à ciência e à arte, sendo D. Manuel I um verdadeiro Mecenas, particularmente no que respeita à construção de edifícios, verdadeiros espelhos culturais e sínteses arquitectónicas do gosto da época.
A Torre de Belém é o exemplo perfeito da arquitectura do chamado «Manuelino» deste período. Abaixo do nível da guarnição e do claustrim, encontravam-se primitivamente os arsenais da Torre de Belém. Com efeito, aqueles armazéns viram-se transformados em masmorras a partir do domínio Filipino, tendo então a Torre de Belém funcionado como prisão política até ao advento do liberalismo em Portugal. Em 1846, no reinado de D. Maria II, procedeu-se ao restauro da Torre. O plano de defesa da barra do Tejo, delineado por D. João II com base na construção das fortalezas de Cascais e da Caparica, foi cumprido durante o seu reinado, embora este monarca tenha ainda manifestado em vida a intenção de construir um baluarte no Restelo. No entanto, só ao fim de quinze anos de reinado, D Manuel, o «Venturoso», seu sucessor, se viria a empenhar na construção da dita fortaleza de Belém. Tal decisão prender-se-ia decerto com a imagem que D. Manuel pretendia dar de si próprio como Rei absoluto de um poderoso e opulento império. A Torre de Belém, mais que um instrumento de dissuasão, seria a magnífica sentinela da capital do império, serena e emblemática.
Em 1514 D. Manuel I mandou regressar a Lisboa o Mestre Francisco Arruda (que em Marrocos dirigia a construção das fortalezas de Azamor e Safim), nomeando-o Mestre de Obras do Baluarte de Belém. Francisco Arruda iniciou os trabalhos sob a orientação do Mestre de Obras do Reino, Boitaca, que ali perto dirigia a campanha do Mosteiro dos Jerónimos. A volumetria do edifício, o sentido das proporções, e a irradiação de orientalismo islâmico nos seus acabamentos e pormenores decorativos, trazem sem dúvida a marca e as influências africanas do Mestre Francisco Arruda. As obras ficaram concluídas em 1519, e em 1521 Gaspar da Paiva foi nomeado o primeiro alcaide-mor da fortaleza.
Isabel Cruz Almeida
Directora da Torre de Belém
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